CaveirãoTropa de Elite, um filme lançado neste ano em solos tupiniquins, foi um arrasa-quarteirão antes mesmo de chegar as salas de exibição. Este filme, ultra pirateado, foi sem dúvida o maior sucesso brasileiro neste ano.

 Todos comentam sobre o filme, sobre as falas e atitudes marcantes do Capitão Nascimento e CIA. Virou uma febre. Só que, além das brilhantes cenas de ação, nunca antes vistas em filmes nacionais e da atuação impecável de Wagner Moura, há uma realidade sendo mostrada. Uma dura realidade: A violência da polícia de elite contra os pobres que moram em comunidades.

O maniqueísmo mostrado no filme, atrelado à atitude enérgica e objetiva da polícia, serviu de “consolo” para o cidadão carioca, que há muito virou refém da violência que assola vossa cidade.

O filme foi como uma vingança, um troco que a sociedade dava aos marginais. Mas o que vemos nas telas não é bem isso. O que vemos são torturas, desrespeito com os moradores, muitos inocentes que são sujeitos a tremendas humilhações sem poder reclamar. Afinal, vão reclamar a quem? A polícia??? Zeca Pagodinho, em sua música “Quando eu contar (iaiá)” já denunciava, de forma bem inteligente, esta realidade nua e crua das favelas cariocas. Veja um trecho da música:

Vi um tipo diferente
Assaltando a gente que é trabalhador
Morando num morro muito perigoso
Um tal de Caveira comanda o vapor
Foi aí que o tal garoto
Coitado do broto, encontrou com o Caveira
Tomou-lhe um sacode, caiu na ladeira
Iaiá, minha preta, morreu de bobeira, ô Iaiá…

O que está acontecendo dentro das favelas? A grande mídia mascara muitas coisas, mas a grande verdade é que a favela é o cenário ideal para as autoridades exercerem o extermínio de pobres. Ora, a maior concentração de pobres está nas comunidades. Comunidade estas dominadas por facções criminosas. Quer cenário melhor?

Infelizmente, as autoridades pensam que só existe espaço no Rio de Janeiro para a classe média e para a elite. O pobre precisa ser descartado, é inútil e perigoso para a sociedade. Esse é o pensamento.

Somente com uma política social forte, transparente e conscientizadora, conseguiremos um dia enxergar um futuro melhor para os cariocas de baixa renda.

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