Rafael Cruz é estudante, tem 22 anos, vive no Rio de Janeiro, Brasil e é autor do Blog Tecnologia e Cinema, Cucamonga e fundador do Clube de Xadrez AJAX e do Diário da Ilha Grande.

 

Hoje a pirataria, uma prática que desde os tempos das grandes navegações já se tem notícia, volta à tona no meio desta corrida tecnológica e de acesso facilitado a informação. Agrupei alguns pontos sobre o assunto que merecem uma análise. Vamos a eles:

Pirataria como crime

Pirataria no Brasil Tenho um pensamento sobre este ponto que pode parecer um tanto insano em um primeiro momento, mas posso explicar o meu ponto de vista. Não vejo a pirataria essencialmente como uma prática criminosa e que deve ser banida.

Em primeiro lugar, quem pirateia um DVD está roubando a quem? A indústria, a mesma que ganha bilhões e bilhões de dólares, paga cachês milionários a certas celebridades e, mesmo assim, cobra por um blockbuster em DVD cerca de R$ 50,00 (U$ 26,00). Ainda ganhando fortunas, tem coragem de pagar um miserável salário aos funcionários de baixo escalão e acusar países pobres de estar roubando suas obras.

E estou me referindo apenas à venda de DVDs. No século XVI, quando portugueses e espanhóis, saqueavam as terras do Novo Mundo não chamaram de crime, e sim de colônia. O mesmo aconteceu no século XXI com os ingleses, franceses, holandeses e outros, que ocuparam países pobres na Africa para explorar o máximo que podiam. Isso também não foi crime, foi colonização. Qual é a diferença? O crime só ocorre quando vêm do pobre para o rico? Não vou me alongar neste assunto porque senão acabarei entrando em assuntos políticos e não é esse o objetivo deste artigo.

Porque falam que é crime quando o Daniel copia o DVD do “Homem Aranha 3” do José? Porque ele irá degustar a obra sem estar comprando? Se for esse o pensamento, então muitos outros crimes acontecem a toda hora: Se eu emprestar um livro, DVD, escova de cabelo ou qualquer outra coisa para o meu vizinho, nós também estaremos praticando um crime, pois estarei permitindo que ele deguste do bem sem que ele o compre, pois mesmo que ele devolva, o bem terá sido apreciado. Se eu tenho um vídeo cassete em casa então sou um mega criminoso, pois posso a qualquer momento gravar e regravar o que eu quiser, desde que passe na TV e emprestar para quem eu bem entender, afinal o aparelho de gravação é meu e o VHS também. E aí? Sou criminoso??

 

Pirataria como inclusão social

Será que todo mundo tem condição de pagar R$ 14,00 (U$ 8,5) para ir ao cinema toda semana assistir a um filme? Tem gente que mal consegue ir 3 vezes ao ano no cinema. Outras nem isso. Exatamente porque é muito caro assistir a um filme. Quando este chega na locadora, o preço da locação não sai por menos de R$ 5,00 e se alguém quiser comprar DVD novo e original, vai ter que desembolsar quase 50 reais para ter a obra. Em um país cujo salário mínimo corresponde a R$ 400,00 (U$ 215), como este modelo de negócio pode funcionar? Somente os ricos e classe média terão acesso.

O trabalhador pobre ou da classe média baixa, que não recebe mais do que R$ 1.200,00 por mês pra pagar aluguel, contas de luz, água, telefone, compras do mês, transporte para ir ao trabalho e outros gastos, vai consumir isso como?? E no Brasil, a maioria da população é da classe pobre e média baixa (60%).

Não estou neste ponto justificando a pirataria por causa da condição social do povo, o que quero dizer é que se este atual modelo de negócios perpetuar no Brasil, a pirataria só tende a crescer, pois o trabalhador nunca vai pagar 14 Reais para ir ao cinema (coisa de luxo) nem pegar 50 Reais por um DVD original quando pode comprar 3 filmes por R$ 10,00 no camelô da esquina da casa dele. Ele não está nem aí se está deixando de dar dinheiro para a grande indústria, ele simplesmente quer participar da sociedade e ter acesso a informação como qualquer outro. Se este é um caminho viável para ele, é o que ele vai fazer. Ninguém quer ser excluído.

 

Soluções

Acho que uma solução é a mudança do modelo de negócios atual, assim como está acontecendo na indústria fonográfica. Com a pirataria, a indústria fonográfica e audiovisual não tem prejuízos, apenas deixam de ganhar mais dinheiro do que estão acostumadas. Na indústria fonográfica, chegou-se a conclusão que a venda de álbuns é coisa do passado. Hoje o que dá dinheiro é vender a música por unidade em lojas virtuais. O negócio recupera o seu fôlego, pois cortam-se vários custos e oferece com mais propriedade o que o consumidor realmente quer.

Uma outra solução é um revisamento da lei de proteção intelectual, que está deveras ultrapassada. Penso que a produção do conhecimento deve ser livre, pois a informação pertence a humanidade, e não às gananciosas indústrias do entretenimento que ditam as regras do jogo e fazem o que querem para acumular cada vez mais capital.

Portanto, sem uma mudança de paradigma da indústria, o sistema estará cada vez entrando em uma enorme entropia, pois é preciso que o pensamento humano evolua, acompanhando assim a evolução tecnológica, de forma que cada vez mais consolidemos uma verdadeira sociedade da informação.

Popularity: 9% [?]

Print Posts PDF: guarde ou imprima