Dani Paiva Morani é autora do Blog da Dani (http://feirachic.blogspot.com/) e dona da loja virtual Feira Chic (http://www.feirachic.com.br/). Dani é grande parceira dos meus blogs e uma amiga muito agradável.

Gente, fiz um passeio chi-que-té-si-mo este final de semana! Uns amigos, muito chiques por sinal, nos convidaram para um passeio de barco. Acordamos cedo, checamos o tempo – lindo-, colocamos biquíni Kiwi – St. Tropez, havaiana Daslu, bolsa de praia Prada, protetor solar Clinique, e spray de cabelo Lancôme. Afinal de contas era um passeio de barco em Miami!

Ao entrarmos no barco, o capitão (nosso amigo) nos informou sorridente que o barco além de muito confortável também era muito econômico, pois há dias estavam passeando sem que o ponteiro da gasolina tivesse se movido. (Uau!!! Vai ver que barco de gente chique nem precisa de gasolina, pensei).

Foi dada então a partida e saímos de South Miami, em direção a Key Biscayne, às 10 horas da manhã, e 4 adultos, 2 adolescentes, 4 crianças. O dia estava lindo, o céu azul, o barco era o máximo, companhia agradável, com certeza seria um passeio inesquecível. Assim que o barco deslizou pela baía o vento bateu trazendo aquela brisa do mar, calor e sol. No meio do caminho, porém, ouvimos um apito que parecia vir de dentro da cabine, o capitão ocupado com o manche pediu que sua esposa verificasse de onde vinha aquele apito tão insistente. Seria do microondas, da geladeira, da TV? Todos a bordo preocupados em descobrir de onde vinha aquele som irritante quando de repente grita o capitão, “Nossa que raso!!!!”, e acelerou o barco (levantando muita areia) em direção a águas mais profundas onde, é claro, o apito parou de tocar.

Ao chegarmos a Key Biscayne, paramos o barco próximo da praia (ahã) e nadamos até a areia (nadamos muito, aliás, mas tudo bem, passeio de barco, vai ver que gente chique pára longe, etc…). Passamos um dia delicioso, comendo saladinha, as crianças brincando no mar, e uma brisa suave que acabou trazendo a hora de voltar pra casa. Já eram 3 horas da tarde quando nadamos (muito!) de volta ao barco. Calculamos que em torno de 4 e meia estaríamos em casa.

Já estávamos em alto mar, alta velocidade, aquela cena meio “Charlie’s Angels”, cabelos ao vento e coisa e tal, quando de repente o barco parou. Parou, parou sem apito, parou mezz, simplesmente mó-rreu! Tenta uma vez, tenta duas, na terceira tentativa escutamos uma vozinha lá de dentro da cabine, “Papai, a gasolina acabou?”. Oopss, o sorridente capitão, agora um tanto sem graça, exprime um “Ah, o que será que está acontecendo?” Silêncio total, respeitem o capitão, ele está pensando, pensando, pensando..”Blackpoint Marina, do you copy? Roger.” Ainda com um sorriso no rosto (porém não mais tão natural), nosso capitão informou que a gasolina havia acabado e que ele estava tentando contatar a marina para que o reboque viesse nos socorrer. O contato via rádio era um tanto difícil pois vários barcos usavam a mesma freqüência, escutamos inclusive uma bela gargalhada quando o capitão finalmente mencionou que estávamos sem gasolina. Bom, uma vez estabelecido contato, fomos informados que o resgate chegaria em 2 horas (já eram 4 da tarde). Barco à deriva, chacoalhando a cada onda, vento forte com cheiro de chuva, terra à vista mas a quase 20 km…é…o jeito é esperar. E esperamos. Felizmente o bom humor estava presente em todos, inclusive na caçulinha (1 ano e 8 meses) que insistia em jogar suas chupetas aos golfinhos. Quando se desfez da última o pai, nosso capitão, heroicamente pulou no mar e resgatou a “tetei” ficando todo molhado, mas feliz com sua atitude James Bond. E esperamos. Surgiu então, do nada, uma bola inflável com o desenho Happy Face, mas ninguém se atreveu a mergulhar para pegá-la, nem mesmo nosso James Bond. E esperamos. E a terra firme que parecia perto estava cada vez mais distante, apesar de nosso capitão insistir que o barco, mezz sem âncora, continuava no mezz lugar. E esperamos. Já eram seis da tarde, o sol já estava se pondo, as crianças já haviam acabado com todo o pretzel, bebido todo o suco, e cantado todas as músicas, inclusive sertaneja! Ou seja, as crianças, que até então haviam se comportado de maneira exemplar, já não aguentavam mais. E os pais, que também haviam se comportado muito bem, quando viram que o maço de Malboro havia acabado… Entraram em desespero. Mas foi nessa hora que avistamos, ao longe (se tivéssemos um binóculo teríamos avistado antes), uma luz piscando. Era o resgate! Estávamos salvos.

O resgate era pilotado a 10 por hora e as crianças puderam sentar na frente do barco pra ver o pôr do sol, e é claro os navios e os helicópteros de guerra que segundo nosso capitão eram para a segurança da planta nuclear próxima dali. “Uau! Será que estávamos under alert, ponderou nosso capitão. Quinze minutos depois vimos que os enormes navios negros (navios de guerra) que avistamos ao longe, eram apenas árvores retorcidas num braço de terra no mar (que alívio!). Paramos. Porque parou? Mais um resgate estava sendo feito, e o problema da outra embarcação parecia bem mais grave talvez por que não era apenas falta de gasolina, mas sim uma peça do leme quebrada. Paciência, já estamos perto.

Já eram quase 8 horas da noite quando enfim chegamos a lane que levava até a marina. Escuridão total, apenas as luzinhas verde e vermelha dos barcos que estavam saindo pra pescar ou passear à noite. “Ai que romântico, vamos fazer um passeio à noite da próxima vez?”, perguntou o capitão a sua esposa que imediatamente diante de todas as baratinhas que em 1 segundo invadiram o barco inteiro gritou “Ai, uma aranha!!!!”. Empunhando uma mamadeira, a valente esposa exterminou a aranha e ouviu de seu marido o seguinte comentário “Ah, é por isso que todos os barcos estão com as luzes apagadas…”. Quanto às baratinhas que circulavam pelos nossos pés, roupas, etc, tivemos que aturá-las até que o barco estivesse em porto seguro. Finalmente depois de dez horas, 700 dólares, e uma lista de compras enorme (incluindo binóculos, óculos e fosfosól) chegamos a casa.

Que passeio realmente i-nes-que-cí-vel!

Pois é, programa de bacana é assim: até quando acaba a gasolina a gente acha chique. Oh, dó!

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